segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Caro Xico Saguate meu primo direito sempre

Escrevo-te sobre o bicho bigode lambe que trouxe infelicidade
O bicho como era não sai do mato só cobra sai mamba preta que cospe tira a vida o bicho bicho que vinha na estrada caravana a passar já não tem não vês onde se meteu comeram nos tempos ias na estrada e vinham os bicho eu que me recordo a passar o grande Save na carga sobre o oleado a cacimba nos joelhos a estrela no tecto abóbada de cima assim placenta de cor sem fim com filho estrela pendurado até outra galáxia tinha galáxia de madrugada quando tudo está calado menos cobra raspa que raspa na areia e bicho nos tempos corria na picada livre como bicho livre como natureza eram os tempos do bicho gala-gala também esses
o bicho reformou esse javali ouriço gazela macaco cudo reformou a natureza reforma também velhece corpo e bicho que aparece tem dente branco mesmo branco brilhante que marfim polido de branco olho de ratazana mãos de mabandido come metical nem sal com à primeira de olho fechado e ventre pronunciado ventre dobra o cabo do umbigo ventre gordo é prestígio a gente sabe que é assim magro aqui no capim nacional não tem beleza a gente sabe gordura não é formosura é poder escreveu a LENINA em abril nas sete teses se eram sete tudo que tem sete é verdade mesmo as saia da nazarena da catembe e poder da gordura é formosura gordura come magreza é luta de classe cabrito come onde tá marrado cabrito come papel cabrito come tudo cabrito parece bicho do metical tem bicho do papel sabia bicho de biblioteca sabia bicho come livro come letra comer palavra come parágrafo algum só come pontuação é caviar para bicho de papel há bicho especializado em reticência sabia bicho mais que fodido acabou com a biblioteca nacional de uma país que não tem nacional nada mascou fio de electricidade já nem papel curtocircuitou tudo comeu interruptor
qual o cu qual é ele que é bonito e não desvaloriza: o cu grande meu
grande é bonita uma verdade
cu magro cu magro nem dá para cantar
esse bicho de novo tipo vende influência que é uma nova espécie hortícola se tens influência tens conta bancário e progrides
hipopótamo já nem InKomáti vê nem nada andava ali aquela bocarra de agarrar o mundo nas mandíbulas nada e lembro mesmo desse até vi dos miradouro só com olho bom da infância lá nas curvas mais apertadas esquecidas lá onde o longe não tem pé que o alcance nas paisagem da memória
bife escasseia andamos precários mandioca sofreu ataques de rato de rato mesmo e de rato regime mesmo tempo anda mal e mesmo nem gota a gota conheces gota a gota é invenção da seca gota a gota de lágrima não cresce mandioca só ruga rego ribeiro menino de desespero conheces e nem suruma ajuda nada já nem dá tesão de sonhar como dantes
aqui na Manhiça estamos fodido e o velho que deu o cabrito à primeira dama agora não come está fodido estamos fodido colectivamente não sei primo se me podes abonar umas tenças nem que seja poucas UMAS ASSIM MESMO POUCOCHINHAS COMO TROCO ESQUECIDIO NA FÓRMICA DA MESA ANTIGA DO CAFÉ DA ESTRADA única aquele mesmo do senhor simão pequeno que gaguejava umas letras em ronga
a estrada vai bem foi chinês ou italiano ou não sei e braço nosso braço com currículo de pedra e alcatrão alcatrão e sol areia que deitava fumo alcatrão que ferve calor maior que alguma vez sol inventou nada nem cacimbava ajuda não tem cacimba cacimbo era bom orvalhava nas folha e raiz sugava cacimba como bicho também está a esgotar não tem nem stock como bicho dos tempos não tem stock só tem stock no kruger
estás a ver esse destino primo aqui na Manhiça piorou destino de ver passar a vida ver passar o carro vai no carro vai no mundo vai Bilene vai Xai Xai vai chongoene quissico zavala závora tofo vai para vais no norte do planeta crise tudo como antigamente mas pior quem explica isso primo quem explica ninguém explica Chongoene lembra Chongoene pois nem um daqueles peixinho piquinino dos tempos daquele arco-íris com guelra que cirandava na água não tem primo nem nada
nem que já saímos do quintal os pés incha a estrada já fica longe quando as perna anda menos a perna já não tens os metro que tinha os km que tinha na perna foi-se e se tens reforma nem que é Saguate de pedinte na paragem do machimbombo não chega ainda tentei amendoim negócio de amendoim que outro chama alcagoita esse preto que tem na amareleja conservado em tinto e até que fiz um colectivo de mamana com bacia de plástico vivo vermelho com amendoim até à borda para aproveitas a janela de oportunidade quando machimbombo pára na estrada para meter transportado e mendoim mendoim tudo cantado como no mercado e nada ninguém compra e até quesse markteing nem que era mau alguidar sobressaía mais que a mil metro vermelho mesmo maningue
machimba mesmo de vida machimba mesmo
e se plantas vais preso que fazes? Mandioca nada amendoim difícil rato só chinês
quando descolonizou ninguém explicou que come rato come carapau nada milho mirrou que fazes nem nescafé nada nem leite condensado nada não comes alguidar pois não e na manhiça não tem grilos já ninguém canta só cocoana canta canta suruma com os olhos nas primícia da galinha sacrifício sim que o meu pai morto está a ver-me está a ver se sou pessoa ou rato
cocoana não desiste da bengala sempre coxo atrás da miséria farrapado tem menos tecido que carne que não tem
Manhiça há-de acordar Manhiça teme espírito antigo e raiz grande de gente séria
Manhiça é um mato progressista na beira da estrada sabe que tem estrada e dá para partir dá para chegar não primo manda saguate ao primo saguate para investir mandas
a coisa aqui está preta

do teu primo sempre sempre
Saguate, Benjamim

1 comentário:

  1. Desconcertante texto que me inibo de comentar

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