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domingo, 9 de outubro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Glossário do javardismo bem pensante – treze entradas para um começo interactivo
1. O Javali é omnívoro mas não é voraz.
2. O Javali bem pensante vai ali e já vem, com a sua licença, claro.
3. Um Javali a sério fuça no caviar quando pode e não tem remorsos.
4. O Javali é um defensor do elitismo para todos.
5. O Javali verdadeiro tem eira e beira, mesmo quando não tem eira nem beira.
6. Um Javali adulto come muito mais moderadamente e come também em diferido, por gosto da imaginação.
7. Um javali a sério bebe com tempo necessário e não corre.
8. Javali que corre imoderadamente é de uma outra casta, provavelmente ainda é leitão, mesmo quando o buço ou as brancas explodem.
9. O javali desconhece o stress porque planifica mas não se fica.
10. O Javali ama a sesta e a sexta, mas não seguidas.
11. O Javali gosta de observar a realidade do camarote mas não é por isso que menos corre a destapá-la ou mesmo a pontapeteá-la.
12. Um Javali que se preze vai uma vez na vida ao São Carlos mas não desce o Chiado sem patins nos olhos.
13. O verdadeiro Javali pasta no British Bar o seu tremoço amado e plana no Sodré as madrugadas a pensar na Rua Araújo e nas virtudes de catembar.
fernando mora ramos
2. O Javali bem pensante vai ali e já vem, com a sua licença, claro.
3. Um Javali a sério fuça no caviar quando pode e não tem remorsos.
4. O Javali é um defensor do elitismo para todos.
5. O Javali verdadeiro tem eira e beira, mesmo quando não tem eira nem beira.
6. Um Javali adulto come muito mais moderadamente e come também em diferido, por gosto da imaginação.
7. Um javali a sério bebe com tempo necessário e não corre.
8. Javali que corre imoderadamente é de uma outra casta, provavelmente ainda é leitão, mesmo quando o buço ou as brancas explodem.
9. O javali desconhece o stress porque planifica mas não se fica.
10. O Javali ama a sesta e a sexta, mas não seguidas.
11. O Javali gosta de observar a realidade do camarote mas não é por isso que menos corre a destapá-la ou mesmo a pontapeteá-la.
12. Um Javali que se preze vai uma vez na vida ao São Carlos mas não desce o Chiado sem patins nos olhos.
13. O verdadeiro Javali pasta no British Bar o seu tremoço amado e plana no Sodré as madrugadas a pensar na Rua Araújo e nas virtudes de catembar.
fernando mora ramos
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Do javali quando sentado
O Javali está sentado e se não se levanta é porque põe aquela questão decisiva do valerá a pena – valerá? E não lhe apetece responder à interrogação com a frase do Pessoa, muito bombástica mas demasiado feita à possibilidade da recorrência, publicitária. E o Javali não é recorrente, é porque é na realidade reincidente, é pelas repetições substantivas, sábias, como as da série, como as da insistência no mergulho das coisas da política e na crítica do chicoespertismo dos políticos – é uma das idiossincrasias nacionais, a que há que juntar de novo Fátima, Futebol e agora Fados, plural, o fado europeu por exemplo, e obviamente o fado não nostálgico, o que passou para o lado de lá da saudade, Nova Iorque por exemplo, qualquer cosia que se diga em inglês.
Como não fulanizar por vezes as coisas se a matéria é mesquinha, indaga o Javali? Há pinças para fazer a cirurgia do mesquinho ou isso implica meter um pouco as mãos na merda? Estas coisas pensa o Javali sentado. E meter as mãos na merda desvirtua ou faz crescer? Faz crescer, pensa o Javali e faz crescer mais que os flocos que também fazem crescer, os de aveia certamente, os do malte também, uma Guiness, ou mesmo uma canha alentejana, ou mesmo aquela aveia que faz o vinho e que é de castas tão infinitas quantas as mais que oitocentas referenciadas – é um mundo admiravelmente novo desde muito antes de Cristo. E se há afectos, obviamente pelos outros, o Javali é de um javardismo afectuso e sincrético, até um pouco entrópico – muito tropical também – é, sem dúvida, consistentemente amoroso. E muitas vezes é aí que perde a sabedoria e mete a pata na asneira – mas como viver sem ela, a bela asneira, a boa asneira, a asneira perfeita, caminho para o sublime que desce e sobe e ama por certo enquanto se perde. O desnorte também ataca os sábios. Não me refiro a uma sabedoria de erudição, mas a uma outra, a do balanço das porradas comidas, balanço prospectivo por certo, pois o outro sem perspectiva deixa em baixo, rebaixa, é de dar em molusco e molusco é coisa que não é. Se há coisa que o Javali não é também é de neuroses nem de regá-las. Mas é afeito a fumos e é na realidade num bom prato de tremoços que vê a sua bolota. No tremoço está a virtude, tal como na sombra do chaparro, esse ouro sem bolsa, estará a bolota, esse porvir no horizonte da mastigação. O Javali é omnívoro, disso não duvidem. E gosta de ópera mas frequenta pouco, é mais na banheira que gargareja os seus baixos contínuos, enquanto ensaboa – o mau cheiro é mesmo genético, pois é asseado, é filho da mãe. É um bicho que parece antipático mas é de uma simpatia estrema na longa duração. Como os patos traz a canalha atrás em fila indiana, mas ao contrário dos patos não voa. E se está sentado é porque está a pensar levantar-se. O espectáculo não está grande coisa, é necessário patear não só os videirinhos e as suas vidinhas, como os que confundem o que são com o que imaginam os outros ser por serem como são.
Relativamente aos poderes o Javali tem uma máxima: mais cedo ou mais tarde haveis de vos foder. Trata-se de uma fórmula de grande eficácia e clarividente, tem sentido pragmático e alcance temporal. Aprendeu-a um dos Javalis num café de Braga. Dizia o empregado de mesa para toda a sala depois de um longo pedido em alemão altamente declinado: “ides beber um vinho do Porto que vos fodeis!”.
fernando mora ramos
Como não fulanizar por vezes as coisas se a matéria é mesquinha, indaga o Javali? Há pinças para fazer a cirurgia do mesquinho ou isso implica meter um pouco as mãos na merda? Estas coisas pensa o Javali sentado. E meter as mãos na merda desvirtua ou faz crescer? Faz crescer, pensa o Javali e faz crescer mais que os flocos que também fazem crescer, os de aveia certamente, os do malte também, uma Guiness, ou mesmo uma canha alentejana, ou mesmo aquela aveia que faz o vinho e que é de castas tão infinitas quantas as mais que oitocentas referenciadas – é um mundo admiravelmente novo desde muito antes de Cristo. E se há afectos, obviamente pelos outros, o Javali é de um javardismo afectuso e sincrético, até um pouco entrópico – muito tropical também – é, sem dúvida, consistentemente amoroso. E muitas vezes é aí que perde a sabedoria e mete a pata na asneira – mas como viver sem ela, a bela asneira, a boa asneira, a asneira perfeita, caminho para o sublime que desce e sobe e ama por certo enquanto se perde. O desnorte também ataca os sábios. Não me refiro a uma sabedoria de erudição, mas a uma outra, a do balanço das porradas comidas, balanço prospectivo por certo, pois o outro sem perspectiva deixa em baixo, rebaixa, é de dar em molusco e molusco é coisa que não é. Se há coisa que o Javali não é também é de neuroses nem de regá-las. Mas é afeito a fumos e é na realidade num bom prato de tremoços que vê a sua bolota. No tremoço está a virtude, tal como na sombra do chaparro, esse ouro sem bolsa, estará a bolota, esse porvir no horizonte da mastigação. O Javali é omnívoro, disso não duvidem. E gosta de ópera mas frequenta pouco, é mais na banheira que gargareja os seus baixos contínuos, enquanto ensaboa – o mau cheiro é mesmo genético, pois é asseado, é filho da mãe. É um bicho que parece antipático mas é de uma simpatia estrema na longa duração. Como os patos traz a canalha atrás em fila indiana, mas ao contrário dos patos não voa. E se está sentado é porque está a pensar levantar-se. O espectáculo não está grande coisa, é necessário patear não só os videirinhos e as suas vidinhas, como os que confundem o que são com o que imaginam os outros ser por serem como são.
Relativamente aos poderes o Javali tem uma máxima: mais cedo ou mais tarde haveis de vos foder. Trata-se de uma fórmula de grande eficácia e clarividente, tem sentido pragmático e alcance temporal. Aprendeu-a um dos Javalis num café de Braga. Dizia o empregado de mesa para toda a sala depois de um longo pedido em alemão altamente declinado: “ides beber um vinho do Porto que vos fodeis!”.
fernando mora ramos
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Gravatas e lambretas
A realidade é fonte de prodígios. Ocorrem quando menos se espera e também surgem de onde não se imaginaria, por vezes de fontes que se julgaria secas e incapazes até de mais que a memória, de fertilidades ficcionais no lugar de ideias de poupança – a imaginação está agora virada para a dívida mas não é capaz do que os famintos de outrora souberam fazer: inventar o pão, melhor, a açorda e certamente os joaquinzinhos, já que pobreza é sempre companhia, não se é pobre sem ser a dois, pelo menos e o princípio do cardume é o mesmo da humanidade que mais pega de estaca. Pobre e só é caso mais que limite, é suicídio, por isso pobre é sempre muitos.
E são de muitas variedades os prodígios e os mais previsíveis, entre nós, como é sabido, encontram os seus territórios de proliferação no Entroncamento ou nas paisagens que habitam as anedotas alentejanas, para dar dois exemplos díspares quanto à natureza dos territórios e aos humores identificáveis nestas, o primeiro por assim dizer nacional – talvez por causa justamente da encruzilhada de linhas – e o segundo surreal. Conhecemos bem a história da batata do entroncamento, mesmo da melancia ou do tomate, ou par deles, conforme ao primeiro território e sabemos como voam elefantes sobre os chaparros quando os ninhos se instalam no interior profundo da planície, lá onde o Guadiana deixou de ser um rio para ser um mar definitivo, mar que no fundo é um mar de chaparros, ou melhor, O Mar do Chaparro como quem diz Mar da Mármara ou outro do género, Mar Morto, e esperamos que do seu fundo criativo não surja Adamastor algum mas antes um peixe javali com guelras secretas de porco preto implantadas para fins gastro/turísticos. Esse bicho da lenda por vir vai fazer lembrar uma figura de Bosh, Javali de guelras alçado entre dois caldeirões de pecados com catacuzes fumegantes, tríptico e petisco conhecido dos diabos proletarizados, caviar de luxo por ser temperado pelo crime de faca na liga, pelo adultério, pela briga vicinal e outros feitos braçais e de anca larga.
Até há pouco o mar alentejano era de trigo e espiga nas ondas de vento, agora é de água doce, coisa também só alentejana e de pernas para o ar, já que o sal é um ciclo de tempo alentejano mais que conhecido dos alimentos desde os tempos que o frigorífico enterrou para sempre e a água doce em mar uma invenção dos dinheiro europeus. Antes da electricidade o sal guardava das coisas a sua saúde e agora o mar traz o tal turismo, multiplicai-vos Algarves que de tal proliferação a abundância afogará os pobres de envilecida memória na grandeza dos shopingues por vir, shopingues palafita Alquevas fora. O próximo passo é plantar coqueiros nos buracos dos sobreiros e fazer a tal linha da praia mítica.
De humores tratavam os cirlugiões e os barbeiros sangradores, resolvendo diabos no corpo e outras manifestações de cariz epiléptico tomadas por manobras do demo, curando o doente pela definitiva eliminação deste e do seu mal.
É bem verdade, como persegue por palavras Ubaldo Ribeiro numa verdadeira reportagem da tragédia do corpo em Itaparica – mais natureza que realidade, pois esta é fabricada e a primeira nascida apenas - que há nesta ilha uma radioactividade de fundo sensual e que os habitantes são vítimas desse mal que se respira mal se respira, e entra pelos poros da pele sem autorização, sabendo-se que não tem remédio, não tem como evitar, nem contornar – não há rotunda possível aplicável ao caso a não ser redonda e infinitamente carnal, o que não se arranja assim do pé para a mão entre gente séria do sexo necessário ao caso, como é costume de Itaparica em que namorar necessita pelo menos de quarto de hora prévio, o que é muito tempo de espera para a erecção obsessivo maníaca ou para o cio incontinente.
Nem construindo muros de betão entre cada habitante, nem dotando cada um de escafandros de agilidade pós moderna, ninguém escapa ao assalto nem a ser assaltante. Eu estive em Itaparica e pude observar o facto e os flagrantes delitos de assédio ilimitado e múltiplo sucedendo-se a um ritmo que só me fez lembrar a Ilha de Camões a meio da costa índica, embora nesta, não fossem as mulheres macuas e o msiro e era só literatura à solta, apesar do verso alongado.
E para Itaparica levei guarda-costas, como a diplomacia mo dissera e guarda freios. Estive em missão científica dadas as teorias erotólogas e vaginómanas em questionamento dramatúrgico e sob observação científica: para um doutoramento sobre a problemática do tesão que perdura ou não e a sua extinção na Europa do meio ameaçando a do Sul. O título é obra do orientador e há que respeitar as hierarquias.
Mas a que propósito a gravata e mais ainda a lambreta? São também lembradas coisas curiosas, imaginações. Mas pequenas. Pequenos achados já encontrados, reencontrados diria – já em sessentas o movimento hippie levava isso a sério - mas que são mesmo falhas de imaginação.
Proibir-se a gravata, ou porventura liberalizar o uso – a cada um o seu calor próprio - , só pode ser ideia de quem a leva a sério. Abril foi há décadas e mesmo antes já ninguém a punha como instituição, a não ser aquele pequeno núcleo conhecido e os que primavam por uma disciplina britânica no pino do sol, missão diplomática, respeito do outro, sacrificando a maçã-de-adão sob o aperto esmagador do nó da gravata. Agora imaginar que a dívida se resolve liberalizando a gravata é o mesmo que imaginar que se voa recusando o combustível e poupando no voo necessário que não se realiza – uma sugestão seria poupar no 112, deixar a coisa resolver-se por si. Da lambreta não vale a pena falar, pois é mesmo coisa de Motas.
Governo infantil? Sem dúvida. Parque infantil mesmo. E agora que o Viegas nem é do Conselho de Ministros está tudo claro. O Ministro da Cultura é mesmo o Passos Coelho. Sempre que houver matéria cultural o homem cantará a plenos pulmões um qualquer fado de Coimbra, tanto dá.
fernando mora ramos
E são de muitas variedades os prodígios e os mais previsíveis, entre nós, como é sabido, encontram os seus territórios de proliferação no Entroncamento ou nas paisagens que habitam as anedotas alentejanas, para dar dois exemplos díspares quanto à natureza dos territórios e aos humores identificáveis nestas, o primeiro por assim dizer nacional – talvez por causa justamente da encruzilhada de linhas – e o segundo surreal. Conhecemos bem a história da batata do entroncamento, mesmo da melancia ou do tomate, ou par deles, conforme ao primeiro território e sabemos como voam elefantes sobre os chaparros quando os ninhos se instalam no interior profundo da planície, lá onde o Guadiana deixou de ser um rio para ser um mar definitivo, mar que no fundo é um mar de chaparros, ou melhor, O Mar do Chaparro como quem diz Mar da Mármara ou outro do género, Mar Morto, e esperamos que do seu fundo criativo não surja Adamastor algum mas antes um peixe javali com guelras secretas de porco preto implantadas para fins gastro/turísticos. Esse bicho da lenda por vir vai fazer lembrar uma figura de Bosh, Javali de guelras alçado entre dois caldeirões de pecados com catacuzes fumegantes, tríptico e petisco conhecido dos diabos proletarizados, caviar de luxo por ser temperado pelo crime de faca na liga, pelo adultério, pela briga vicinal e outros feitos braçais e de anca larga.
Até há pouco o mar alentejano era de trigo e espiga nas ondas de vento, agora é de água doce, coisa também só alentejana e de pernas para o ar, já que o sal é um ciclo de tempo alentejano mais que conhecido dos alimentos desde os tempos que o frigorífico enterrou para sempre e a água doce em mar uma invenção dos dinheiro europeus. Antes da electricidade o sal guardava das coisas a sua saúde e agora o mar traz o tal turismo, multiplicai-vos Algarves que de tal proliferação a abundância afogará os pobres de envilecida memória na grandeza dos shopingues por vir, shopingues palafita Alquevas fora. O próximo passo é plantar coqueiros nos buracos dos sobreiros e fazer a tal linha da praia mítica.
De humores tratavam os cirlugiões e os barbeiros sangradores, resolvendo diabos no corpo e outras manifestações de cariz epiléptico tomadas por manobras do demo, curando o doente pela definitiva eliminação deste e do seu mal.
É bem verdade, como persegue por palavras Ubaldo Ribeiro numa verdadeira reportagem da tragédia do corpo em Itaparica – mais natureza que realidade, pois esta é fabricada e a primeira nascida apenas - que há nesta ilha uma radioactividade de fundo sensual e que os habitantes são vítimas desse mal que se respira mal se respira, e entra pelos poros da pele sem autorização, sabendo-se que não tem remédio, não tem como evitar, nem contornar – não há rotunda possível aplicável ao caso a não ser redonda e infinitamente carnal, o que não se arranja assim do pé para a mão entre gente séria do sexo necessário ao caso, como é costume de Itaparica em que namorar necessita pelo menos de quarto de hora prévio, o que é muito tempo de espera para a erecção obsessivo maníaca ou para o cio incontinente.
Nem construindo muros de betão entre cada habitante, nem dotando cada um de escafandros de agilidade pós moderna, ninguém escapa ao assalto nem a ser assaltante. Eu estive em Itaparica e pude observar o facto e os flagrantes delitos de assédio ilimitado e múltiplo sucedendo-se a um ritmo que só me fez lembrar a Ilha de Camões a meio da costa índica, embora nesta, não fossem as mulheres macuas e o msiro e era só literatura à solta, apesar do verso alongado.
E para Itaparica levei guarda-costas, como a diplomacia mo dissera e guarda freios. Estive em missão científica dadas as teorias erotólogas e vaginómanas em questionamento dramatúrgico e sob observação científica: para um doutoramento sobre a problemática do tesão que perdura ou não e a sua extinção na Europa do meio ameaçando a do Sul. O título é obra do orientador e há que respeitar as hierarquias.
Mas a que propósito a gravata e mais ainda a lambreta? São também lembradas coisas curiosas, imaginações. Mas pequenas. Pequenos achados já encontrados, reencontrados diria – já em sessentas o movimento hippie levava isso a sério - mas que são mesmo falhas de imaginação.
Proibir-se a gravata, ou porventura liberalizar o uso – a cada um o seu calor próprio - , só pode ser ideia de quem a leva a sério. Abril foi há décadas e mesmo antes já ninguém a punha como instituição, a não ser aquele pequeno núcleo conhecido e os que primavam por uma disciplina britânica no pino do sol, missão diplomática, respeito do outro, sacrificando a maçã-de-adão sob o aperto esmagador do nó da gravata. Agora imaginar que a dívida se resolve liberalizando a gravata é o mesmo que imaginar que se voa recusando o combustível e poupando no voo necessário que não se realiza – uma sugestão seria poupar no 112, deixar a coisa resolver-se por si. Da lambreta não vale a pena falar, pois é mesmo coisa de Motas.
Governo infantil? Sem dúvida. Parque infantil mesmo. E agora que o Viegas nem é do Conselho de Ministros está tudo claro. O Ministro da Cultura é mesmo o Passos Coelho. Sempre que houver matéria cultural o homem cantará a plenos pulmões um qualquer fado de Coimbra, tanto dá.
fernando mora ramos
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